sexta-feira, 30 de março de 2012

Alô, senador Demóstenes. Me liga que te empresto uma peixeira.


Acompanhando a cachoeira de denúncias contra o senador Demóstenes pensei em algo que seria ao mesmo tempo oportuno e pedagógico. Que tal um seppuku? Para ajudar, recorro ao wikipedia:


"Seppuku era um ritual que seguia sempre a mesma ordem: o samurai banhava-se para purificar seu corpo e a sua alma. A seguir vestia a roupa específica do seppuku, totalmente branca, tomava uma xícara de saquê, sempre em dois goles, e a seguir escrevia um ou dois poemas de despedida. Então deveria ajoelhar-se e enfiar sua tanto, wakizashi ou um punhal, na barriga, no lado esquerdo, e cortá-la então, até o lado direito deixando assim as vísceras expostas para mostrar sua pureza de caráter e no fim puxar a lâmina para cima, fazendo assim um corte em cruz. Oseppuku era horrivelmente doloroso, mas o samurai, de acordo com o seu código de honra, não podia demonstrar dor ou medo ao realizá-lo.
No mundo dos guerreiros, seppuku era um feito de bravura que era admirado em um samurai que sabia haver sido derrotado, caído em desgraça ou mortalmente ferido. Significava que ele poderia terminar seus dias com os seus erros apagados e sua reputação não apenas intacta como engrandecida. O corte do abdômen liberava o espírito do samurai da forma mais dramática, sendo uma forma extremamente dolorosa, lenta e desagradável de morrer. Não raro, o samurai, após abrir o ventre, permanecia vivo por horas ou mesmo dias, esvaindo-se em sangue e ao mesmo tempo sentindo uma dor indescritível. Por isso, algumas vezes o samurai que o fazia pedia a um companheiro leal que fosse seu assistente e lhe cortasse a cabeça antes que esta pendesse ou que demonstrasse não estar mais suportando a dor, o que seria considerado uma desonra tanto para o que cometeu seppuku quanto para o assistente. O assistente precisava ter um domínio magistral da técnica da espada para que fosse chamado a executar essa função, pois ao degolar o companheiro, a cabeça deste não podia rolar para o chão, o que seria considerado um desrespeito ao mesmo e a seus familiares. Assim, o corte executado pelo assistente só podia abrir a garganta do samurai, jamais romper suas vértebras. Daí a necessidade do companheiro que assistia o samurai suicida ser um exímio espadachim. Esse ato era chamado de kaishaku."

Não tenho muitas esperanças de que o Demóstenes aceite minha sugestão, afinal, como se lê acima, o seppuku é cometido por um samurai, é preciso ter honra, coisa rara na turma a que pertence o senador. Além disso, aqui no Brasil isto seria considerado uma babaquice. Imagine! Bastava dizer que não sabia de nada e tocar o barco. No Brasil, o suicídio de um corrupto corre o risco de virar piada.
De qualquer forma, como sou cearense, fica um recado: Se for por falta de um tanto, wakizashi ou um punhal, não se aperreie, eu empresto uma peixeira. Duvido que não fure o couro de um rato.

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