quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O manejo florestal tem limitações e as empresas não são instituições de caridade.

Na celeuma em torno do projeto de manejo da reserva Antimary, no Acre, é bom que se tenha cuidado para preservar o manejo florestal como técnica de produção de riqueza com baixo impacto ambiental. Não conheço os detalhes da execução do projeto especificamente, mas conheço de manejo o suficiente para afirmar que como sistema de exploração tem boas possibilidades econômicas e deve ser prestigiado dentro de suas condições. Neste ponto o secretário Edvaldo Magalhães está certo.

O problema é que no Acre quase tudo que aparece vem com um estandarte à frente, como se fosse uma revolução em marcha, como se fosse A SOLUÇÃO de todos os problemas, como se fosse produto de mentes extraordinárias capazes de transformar rápida e definitivamente a realidade local e promover a felicidade das pessoas. Nada é assim. Nada é referência, nada é exemplo para o mundo, nada é mágico. Tudo é processo, construção, tentativa sujeita a erro.

O manejo florestal é interessante, produz riqueza, gera arrecadação de impostos e dinamiza a economia, mas tem seus limites e possibilidades. Cumpre um determinado papel, mas não o de distribuir justamente a riqueza produzida. Não esqueçamos que se trata de exploração por empresas capitalistas que obviamente visam lucro. Máximo lucro. Quem prometeu que os moradores da reserva teriam partes justas da renda gerada devia ter fundado uma cooperativa ou algo do gênero.

Por outro lado, como se trata de concessão, é necessário que as condições contratadas sejam rigorosamente cumpridas de parte à parte. A empresa privada e o poder público estabeleceram determinadas condições que protegem o morador da reserva, a biodiversidade, a integridade da floresta... enfim, uma série de providências que não podem ser negligenciadas, sob pena de rompimento do contrato ou sanções contra a empresa. Que o curso normal das coisas seja seguido, mas não se espere do manejo a redenção do Acre. Seu alcance social é limitado.

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