quarta-feira, 15 de julho de 2009

O extrativismo segundo Homma



Leio no Ac 24 horas uma matéria que evidencia alguns pontos de vista do pesquisador paraense Alfredo Kingo Oyama Homma. Ver em

http://www.ac24horas.com/index.php?option=com_content&task=view&id=5014&Itemid=81


COMENTO

Alfredo Homma é no meu entendimento o mais competente economista rural da Amazônia. Qualquer projeto para a região deveria consultar seus estudos e conclusões. Isto não acontece porque ele não navega nas ondas politicamente corretas que querem fazer do extrativismo uma economia efetivamente viável. Jamais será.

Todos os dirigentes e políticos que agem e falam sobre a região Amazônia deveriam conehcer a sua tese de doutorado “A Extração de Recursos Naturais Renováveis: o Caso do Extrativismo Vegetal na Amazônia”. Ali estão assentadas as bases para a gestão dos recursos naturais e também a melhor refutação da tese (sic) do neoextrativismo.

Lembro que na época em que pertenci à equipe de elaboração do PAS - Plano Amazônia Sustentável tentei convencer o grupo a consultar o Homma. Me olharam com cara de espanto. Fiquei sozinho. Heheheheheh.

O pensamento do Homma não é difícil de entender. Em uma drástica simplificação é o seguinte: Se o produto extrativo florestal X adquire pela demanda alguma importância econômica, dado o desenvolvimento científico e tecnológico atual ele será rapidamente produzido agronomicamente em escala, na região ou fora dela. Resultado: o produto extrativo X perde competitividade para o produto agrícola X. Se, por acaso, isto não for possível, a agronomia produzirá substitutos mais baratos. Dá no mesmo. Isto aconteceu originalmente com TODOS os produtos vegetais de que se tem notícia.

Outro dia ouvi a Senadora Kátia Abreu interpretar isto com uma frase dura; “o extrativismo só dá certo quando não dá certo”. Em outras palavras, só se mantém enquanto não adquire importância econômica. Não deixa de ter razão.

Tá. Mas o que fazer com o extrativismo? Esta é uma pergunta sem importância. Importante é saber o que fazer com os extrativistas. Como guardiões da floresta eles devem receber uma subvenção da sociedade a título de certificação de sua atividade, por exemplo, e lá permanecer até que, como diria o velho Otávio Reis, de saudosa memória, o último extrativista aprenda historia, geografia, português e matemática e se mande.

Da minha parte estou disposto a dar a minha parcela de contribuição. Só exijo que se diga isto com todas as letras: É subvenção da sociedade e não viabilidade econômica.

Duro é convencer os dirigentes a, pelo menos, ler o Homma.

2 comentários:

  1. Caro colega, se o que Homma afirma fosse realmente verdade, a castanha do Brasil, um produto consumido no mundo todo, já teria sido plantado em larga escala, seria um produto agrícola. Não aconteceu. E nem apareceu um produto substituto, como você afirma. Não se precipite com conclusões apressadas e apaixonadas. O mesmo vale para a mioria das espécies madeireiras exploradas de forma extrativista citadas a seguir: mogno, cedro, cerejeira, etc...o que você tem a dizer?

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  2. Caro colega
    Respondo em dois tópicos.
    1. Importância – A importância econômica da castanha-do-brasil é, segundo dados do Governo do Acre, de aproximadamente 25 milhões de reais anuais(dados de 2008). Isto é menos que cinco horas de trabalho do Polo Industrial de Manaus. Acho que não estamos falando da mesma coisa.
    2. Substitutos – Dá uma olhada em volta. Talvez você esteja sentado em um substituto da madeira de Lei. Talvez seu computador esteja sobre uma mesa fabricada com substitutos de madeira de lei. Talvez você tenha dormido em uma cama idem. Etc. Etc. Etc.
    Se não fossem estes substitutos aquela mesa do vovô deveria estar valendo mais que a casa inteira e nós estaríamos todos vivendo que nem aqueles caras de Dubai.
    Quanto às minhas paixões, confesso a minha fraqueza pela lógica. Realmente nunca acreditei no mapinguari.

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