terça-feira, 14 de julho de 2009

Inaugurar é o que interessa. O resto não tem pressa.

Vi ontem no CQC, da TV Band, a repercussão de uma matéria anteriormente veiculada no programa humorístico, no qual ficava claro e confesso pela própria Secretária de Educação, que o Governo de Requião segurava a doação de unidades de transporte escolar para solenidades em que pudesse aparecer e fazer o velho proselitismo e autopromoção com dinheiro público. Pelo visto o Governador do Paraná ficou muito bravo com a publicação daquela prática.


COMENTO

Pelo que foi divulgado, lá no Paraná, o Governo Requião abriu um pacote de bondades e adquiriu algumas centenas de microônibus com a finalidade de distribuí-los entre as prefeituras. Ocorre que isto vem sendo feito aos poucos, sem obedecer, como deveria, a necessidade da população. O ritmo seria ditado pela agenda política do próprio governador. Enquanto o Requião não encontra uma data propícia para ir lá no município, as crianças ficam sem o transporte.

Para os leigos isto é inaceitável. Para os iniciados na política, isto é do jogo.

É comum no Brasil, a participação de políticos em solenidades de inauguração. Aliás, hoje em dia, as solenidades chegam a ser multiplicadas para que o governante e os seus amigos apareçam perante a população como laboriosos e eficientes. Haja discurso. Tem solenidade para o anúncio da obra, para a ordem de serviço da obra, para a inauguração do trecho da obra e para o término da obra. Às vezes tem também para a reforma da obra antes que a obra seja concluída. Importa é aparecer.

Do ponto de vista administrativo o que inaugura a obra é o inicio de seu funcionamento. Solenidade é ato político, objetivamente desnecessário. Aliás, já vimos muitos casos em que a obra é “inaugurada” com coquetel e discurso da corriola, mas não entra em funcionamento. Ou seja, a inauguração política frauda a inauguração de fato.

Tão estranho, para dizer o mínimo, quanto a acomodação da inauguração da obra à agenda política, é o exagero praticado em relação à importância da obra. No afã de gerar noticia favorável, alguns executivos se dão ao trabalho de inaugurar qualquer coisa que leve uma pintura. Até sinal de trânsito. Reforma de escola, então, é uma festa.
Requião, pelo jeito, leu a mesma cartilha que o ex-Governador Romildo Magalhães. Quem não lembra de suas mil obras?

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