quinta-feira, 8 de abril de 2010

Pé-de-cabra abre portas mas não elege ninguém

Outro dia, sem querer, causei polêmica ao tratar das candidaturas majoritárias. Penso que nas eleições proporcionais o eleitor vota em quem. Nas eleições majoritárias vota no quê. Houve um bom debate.

Ainda sobre as diferenças entre as duas, penso que do ponto de vista do candidato, o proporcional pode ser candidato de si próprio, já o candidato majoritário precisa ser candidato de um projeto. Nada novo. Alguém já disse isto, apenas concordo. E explico.

Se um sujeito resolve ser candidato a vereador ou deputado, ele pode ser o José Genoíno, o Mendes Thame, ou o Cabide, o Enéas, o Clodovil ou a Cicciolina... não importa muito o que pensa ou o que propõe. Quem quiser que o eleja, seja por sua capacidade, sua presença na mídia, sua performance como celebridade, sua graça ou beleza, afinal ele será minoria mesmo, jamais determinará o rumo das coisas. O máximo que se pode esperar é o arejamento da política. Menos mal. Melhor um cabide honesto do que um paletó malandro.

Mas quando o negócio é com prefeitos, governadores e senadores, o bicho pega. Ninguém está a fim de delegar tal responsabilidade a quem é candidato de si mesmo, de suas vaidades, de seus interesses ou de suas ambições pessoais, sem um projeto, sem um quê. Portanto, não creio que seja boa estratégia forçar uma destas candidaturas com um pé de cabra, entrando pela porta à custa de empurrões, caneladas, cotoveladas ou “um por fora”. O resultado, posso apostar, é a derrota. A razão mesma da candidatura é que derrota o candidato.

Pensei nisto ao ler uma declaração do Marcio Bittar de que somente será candidato ao Senado se for convocado por seu partido e tiver o apoio do PMDB. Pensei nisto também quando li as declarações de outros dizendo que serão candidatos de qualquer jeito.

Um comentário:

  1. Concordo que pra ser proporcional, qualquer um serve, temos vários exemplos... pra ser majoritário, é preciso ter até mais do que projeto, é preciso ter também boas intenções e humildade, é preciso pensar coletivamente, é preciso ser democrata, é preciso "não ter projetos próprios", projetos pessoais devem ser deixados de lado. Infelizmente, isso está difícil na política, no geral...

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