sexta-feira, 2 de abril de 2010

Em ano eleitoral, pancadas e carícias. Cuidado!

Outro dia um amigo me perguntou se tenho bronca de sindicato. Eu não. Desde que sua atuação não se converta em braço partidário para bater em adversários ou em mãos sedosas para acariciar governantes, por mim tá de bom tamanho.

A questão é que a maioria dos sindicalistas do setor público (hoje são os que de fato importam) sonha em ser patrão, ou seja, governo. O sujeito não tem horizontes a partir do mérito então se enfia no sindicato e, pela ação política (batendo em adversários e acariciando governantes) ganha relevância no partido. Quando o partido chega ao poder o sujeito salta do sindicato para os cargos de comando aos quais jamais chegaria pelo mérito. Ou, então, vira ele mesmo um político de carreira. O sonho, enfim, se realiza.

O sonho dele, mas e a sociedade? Esta vai pagar o preço de não ser comandada pelos melhores, mas pelos que mais bateram e mais acariciaram. O posto de saúde não vai ser dirigido pelo médico mais preparado e sim pelo servidor mais íntimo do partido, a escola não vai ser dirigida pelo professor mais bem treinado ou mais experiente e sim por aquele que falava mais alto na reunião do sindicato, a segurança não vai ser executada pelo profissional mais habilitado e sim pelo militante mais articulado com o sindicato. Este itinerário alcançou nos últimos anos até os postos mais elevados da administração pública federal, incluindo instituições financeiras o que já é uma temeridade.

A tudo isto os especialistas dão o nome de “aparelhamento do estado”. Isto é, os organismos do estado são ocupados literalmente pelo aparelho partidário, por seus militantes, indiferentemente das capacidades e competências individuais de cada um. Tá certo isto?

Tá não. Em primeiro lugar, porque significa uma injustiça e um desestímulo a quem, de modo legítimo e ético se preparou ao longo do tempo para alcançar o ápice de suas carreiras. Em segundo lugar porque, obviamente, aumenta a ineficiência, o clientelismo e a corrupção. Em terceiro, porque o estado passa a ser, nas mãos dos militantes, máquina de reprodução das condições de perpetuação do poder e não de realização do bem comum. Em quarto, porque contaminando todos os setores termina por solapar o estado de direito. Há mais a lamentar.

Em vista de tudo isto, este ano é bom ter cautela com as pancadas e as carícias de sindicatos e sindicalistas. Os objetivos podem não ser assim tão obvios.

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