terça-feira, 4 de agosto de 2009

Viram o Collor? Não mudou nadinha. Já os seus cabelos...

Assisti a sessão do senado, ontem, pela TV. Lá estava ele novamente. O velho Collor de sempre.

    COMENTO

  • Estava ali, em estado natural, o homem que governou o Brasil após o restabelecimento da democracia e caiu derrubado por ela em 1992. O mesmo boçal, agora de cabelos grisalhos, desferindo ataques contra o Senador Pedro Simon. Senti saudades de Mário Covas. O que lhe diria Roberto Freire?

  • Quem apareceu para defender o Simon foi Cristovam Buarque, hoje no PDT, um partido envergonhado entre a memória de Leonel Brizola e os recursos do FAT. Disse o trivial. Que justamente por respeitar a história de Sarney, quer vê-lo fora da Presidência do Senado. Mera firula retórica. Poderia ter sido mais nordestino, pernambucano que é.

  • Os alagoanos Renan e Collor trocam olhares cúmplices. Dialogam como num palco, representando papéis conhecidos. Para o ex-presidente tudo não passa de uma trama urdida pela grande imprensa nacional. Aproveita para botar no balaio o processo que resultou em sua própria expulsão do palácio. Sobrou até para os caras-pintadas.

  • Pergunto-me. Se o impeachment de Collor foi o resultado de uma trama da imprensa, o que terá sido sua assunção ao poder? De playboy a prefeito nomeado, de prefeito de Maceió a Governador de Alagoas, de governador a Presidente. Ele próprio dono de empresas de comunicação. De que trama foi vítima a população brasileira em 1989?

  • Com seu ar prepotente, estribado em decisões judiciais que lhe inocentaram por falta de provas, Collor retorna disposto a tudo. Inclusive a dar lições de moral. Ao seu modo. Boquirroto, ríspido e ofegante, chegou a exigir por duas vezes que o Senador Pedro Simon engolisse as próprias palavras, as digerisse e fizesse bom uso. Que preço temos que pagar pela democracia!

  • A cena grotesca me lembrou uma citação conhecida, de Antero de Quental, que em uma carta pública ao seu rival Ramalho Urtigão disse-lhe “A futilidade em um velho desgosta-me tanto quanto a gravidade em uma criança. Vossa Excelência precisa menos cinqüenta anos de idade ou mais cinqüenta de reflexão”. Estivesse ontem no Senado, o escritor e poeta português teria como destinatário de sua carta o caçador de marajás.

Um comentário:

  1. De lascar é ver o Lula de braços dados com Collor e sSrney.

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