segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Traidora não. Marina Silva é apenas uma boa cristã.



A entrevista de Marina Silva ao jornal espanhol El País anda repercutindo de muitos modos por aqui.
COMENTO

Ainda confusos com a estagnação da Ministra Dilma nas pesquisas eleitorais, os mais apressados encontram em Marina Silva a culpada. Daí a taxá-la de traidora é só somar dois mais dois. Isto aconteceria cedo ou tarde.

O trecho da entrevista que dá asas a essa afirmação solerte é o seguinte “Los procesos son acumulativos. No existe espacio para procesos nihilistas en relación con lo ya conquistado. Existe un reconocimiento de que en los últimos 16 años Brasil consiguió el equilibrio fiscal y la estabilización de la moneda, junto con la gran innovación que introdujo Lula y que fue la cuestión de la distribución de renta. Todo ello debe ser preservado. Creo que tenemos espacios para mejorar, y que ya no existe el peligro de que se destruya todo lo que se fue construyendo en los últimos 16 años.”

Paulo Henrique Amorim é daqueles que acham que o mundo surgiu em 2002 com a posse do Presidente Lula. Não são poucos. Tenho freqüentado muitos fóruns nos últimos anos e sou sempre levado a gargalhadas íntimas quando ouço a papagueada do “nunca antes neste país”. Até porteiro de edifício fala isso depois do “bom dia a todos e a todas (outra idiotice destes fóruns). Pelo jeito, a boa cristã Marina Silva não acredita que o mundo foi criado pelo nosso nordestino-operário-presidente. Ponto pra ela. O seu novo eleitor não a perdoaria se parecesse farisaica.

Aqui do meu quadrado percebo ainda uma certa saida pela tangente perante temas que precisariam de mais elaboração. Um deles, o pré-sal. Em algum momento a Ministra terá que dizer o que pensa da exploração-queima de petróleo em abundância promovida pelo Brasil a partir de 2020-2025 quando, promete-se, o mundo todo estará engajado em tecnologias mitigadoras de emissões de CO². Como disse Delfim Neto neste último sábado, com o pré-sal periga o Brasil fazer um grande recuo ao século 20. Coragem, Marina!

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