sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Sai o zoneamento da cana-de-açúcar. Você escolhe. Álcool ou alimento?

O Presidente Lula lançou na EMBRAPA, nesta quinta-feira, o Zoneamento Agroecolócico - ZAE da cana-de-açúcar. Trocadoem miúdos diz onde pode e onde não pode produzir etanol e, com isto, contribuir para a redução das emissões de CO².

COMENTO

O ZAE contempla áreas que não necessitam de irrigação plena e economizam recursos como água e energia; áreas com declividade igual ou inferior a 12% que permitem a mecanização e eliminam a prática de queimadas nas áreas de expansão; e áreas degradadas ou de pastagens.

Pelo que li, ficam de fora toda a Amazônia, o Pantanal, a Bacia do Alto Paraguai e qualquer área de vegetação nativa. Ficam dentro as áreas já exploradas com outros cultivos. É ai que o bicho pega. O empurrão que o ZAE dá na cana-de-açúcar sobre as áreas tradicionalmente agrícolas só pode resultar na diminuição da produção e no aumento dos preços dos alimentos. Muito provavelmente receberá severas críticas relativas à segurança alimentar. No exterior dirão que Lula quer trocar soja por cana-de-açúcar. E com razão.

Sei. Alguém dirá que se reserva para a cana áreas que não estão sendo aproveitadas com produção de alimentos. Mentira. São áreas de expansão da fronteria interna que de um modo ou de outro entrariam em exploração agrícola ao longo do tempo. Há muitas bocas a alimentar. Queiram ou não, até os caras encontrarem viabilidade em outro planeta, é aqui mesmo que vamos produzir nosso rango de todo dia. O Brasil cumpre este papel estratégico.

Continuo sem entender por que não são aproveitados os 72 milhões de hectares que, segundo estudo recente de Homma* estão degradados na Amazônia (ONGs ambientalistas citam 150 milhões). Por que pressionar áreas e preços em outras regiões com tanta terra disponível e tanta gente sem trabalho naquela região?

Vejamos o exemplo do Projeto Álcool Verde, no Acre. Havia uma área desflorestada, mecanizada, plana, às margens de uma rodovia importante, perto da capital e de algumas pequenas cidades, enfim, reunia todas as condições técnicas para a produção de etanol. Do lado, uma enorme massa de desempregados. Tudo certo, governo e iniciativa privada acordaram seus termos de cooperação e inauguraram o empreendimento. Não andou. Inauguraram de novo. Não andou de novo. Parou de vez. Deram um jeito de inviabilizar o projeto.

Engraçado é que ninguém dá explicações. Por que parou? Parou por quê? Quem parou? Parou por quem? Arrisco. Parou porque entrou de roldão na histeria de aquecimento global que já anda derretendo neurônios em toda parte. Parou por quem pensa que a Amazônia se desenvolverá pela economia do sapato de borracha nativa, do sabonete de copaíba e do colar de sementes de jarina.

*O cientista Alfredo Kingo Oyama Homma pertence à Embrapa Amazônia Oriental.

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