quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Cadê os culpados?

Se tem algo estranho nas reportagens de TV sobre a tragédia carioca é aquele finalzinho sempre com um coitado falando em recomeço, em esperança, em coragem... PQP! Ninguém fica triste, ninguém fica indignado, ninguém fica puto, parece que foi uma neblina.

São bilhões em prejuízos financeiros. Casas, lojas, supermercados, indústrias, plantações, estradas, pontes, o diabo fez a festa e a reportagem termina com aquela mensagenzinha  cujo interesse só pode ser amenizar o sentimento de revolta do telespectador e encobrir culpados. No frigir dos ovos, a julgar pela matéria exibida, a culpa foi da natureza e do azar do infeliz que teve a idéia de fazer sua casa no caminho das águas.

E nos ginásios? Centenas de famílias dividindo espaço exíguo, sem nenhuma privacidade, sem comida decente, sem água, sem banho, sem dignidade, e a repórter gasta nosso tempo mostrando uma doce criatura que resolveu dar uma ajudinha indo lá separar doações, ou um bombeiro que não fez nada além de seu trabalho. Sobre os culpados, nada!

Sei. Alguém dirá que o momento é de mostrar isso mesmo, ou seja, a solidariedade, a esperança, a força do brasileiro. Uma ova! A hora é de mostrar bem mostradinha a cara de cada um dos verdadeiros culpados.

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