quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Um bilhão de famintos e ainda tem gente querendo diminuir a mecanização agrícola!

Em artigo publicado no site CONTROVÉRSIA (link ai do lado), o jornalista José Arbex Jr. analisa em poucas palavras a disponibilidade de alimentos no  mundo para ao cabo (a intenção era essa) defender o MST e as invasões de terra e acusar o Agronegócio.

Não sei se é do ramo. Mas falou besteira. Em certo ponto afirma "Mesmo levando-se em conta que as compras de máquinas pela Índia e pela China são, em boa parte, responsáveis pelo crescimento do setor, é óbvio que existe uma relação direta entre a crescente mecanização da agricultura e o aumento da fome, como conseqüência da concentração da propriedade e da renda." Negrito meu.

Se a lógica ainda faz sentido, vale dizer que se a mecanização parar de crescer a fome também pára de crescer. Que tal?

Não sei se o jornalista é do ramo. Talvez seja apenas mais um atrasado militante da revogação do direito à propriedade. De qualquer forma se o seu objetivo era acusar a CRUTALE de "grileira de terras públicas, exportadora de suco de laranja e superexplorada do trabalho de seus empregados" poderia ter ido direto ao ponto. Não precisava massacrar o bom senso.

A tecnologia agrícola (máquinas, defensivos e fertilizantes no meio) é responsável por pelo menos metade da produção de alimentos no mundo. Vale dizer que sem ela toda a área atualmente cultivada produziria apenas a metade dos alimentos que produz e o bifinho do Arbex Jr.estaria bem mais caro.

Tecnologia agrícola é o que falta, não o que sobra. Um dos principais problemas da verdadeira agricultura familiar  - praticada por gente vocacionada, é justamente a dificuldade de acesso aos insumos e processos que levam ao aumento da produtividade por área e por trabalhador. Na maior parte da agricultura, o aumento da renda do trabalho só pode ser alcançado com aumento da produtividade física.

Ao invés de acabar o agronegócio como pretende o jornalista, a saida é pelo outro lado, ou seja, é transformar as unidades familiares em pequenos agronegócios individualmente e em grandes agronegócios no conjunto. Isto com mecanização, sementes, adubos, defensivos, organização e tudo mais que a ciência põe ao dispor da sociedade. O resto é política.

Mas a fome no mundo decorre da falta de alimentos? Dizem que não. Desde os anos 50 dizem que a produção mundial é suficiente para alimentar a todos. Se é assim, para onde está indo a sobra? Vamos combinar que é isso mesmo, que a fome é causada pela concentração da produção. Pois que ao invés de perder tempo e dinheiro reunindo 180 países para discutir o aquecimento global  - uma farsa, se reúnam os líderes mundiais para debater seriamente (as reuniões da FAO não valem) a segurança alimentar, a geração e transferência de tecnologia agrícola e o suprimento às regiões famintas da África, por exemplo.

Não vale é, como faz miseravelmente Arbex Jr., usar a miséria para defender sistemas miseráveis de reprodução da miséria. Fui claro?

3 comentários:

  1. Prezado, o debate é importante e oportuno, mas você não foi honesto no seu texto... pegou um trecho isolado do artigo do Arbex pra criticar uma suposta "visão do atraso", mas não cita o restante do artigo do Arbex, confiando que as pessoas vão se contentar com a citação para "atestar" a suposta verdade, que o MST e os demais movimentos campesinos são a "vanguarda do atraso", como diz uma revista fascista de grande circulação nacional...

    Você poderia ter citado outros trechos do artigo do Arbex, por exemplo:

    "Nas grandes culturas mecanizadas, um único trabalhador pode cultivar cerca de 200 hectares, com altíssimo índice de produtividade (medido em toneladas de cereais por trabalhador por ano), graças a investimentos em tecnologia, bioquímica, seleção de sementes etc. Em contrapartida, menos da metade dos trabalhadores rurais dispõe de tração animal para tocar suas culturas, e cerca de 1/3 estão completamente à margem da “revolução verde”. São os camponeses pobres, que formam o vasto exército de seres humanos forçados, quando podem, a vender sua força de trabalho por valores aviltantes em grandes plantações (não raro, os “salários” situam-se no limite de 2 dólares diários, valor que serve de parâmetro de linha de pobreza para o Banco Mundial).

    É óbvio que ninguém propõe, aqui, a destruição das máquinas e a volta à agricultura rudimentar como solução para a fome. Trata-se de fazer exatamente o oposto: colocar a máquina a serviço do ser humano."

    *****

    Ou seja, o que o Arbex propõe é exatamente o que você defende no seu texto superficial e cheio de preconceitos: MAIS MÁQUINAS PARA A AGRICULTURA, MAS TAMBÉM PARA OS PEQUENOS AGRICULTORES E NÃO APENAS PARA AS GRANDES EMPRESAS!

    Além disso, o MST nunca deixou de defender a agroindústria, ao contrário, os assentamentos mais organizados estão todos industrializados e até exportam os produtos, mas não deixam de seguir a lógica que o movimento defende: policultura, prioridade à subsistência das famílias assentadas, técnicas ambientais e uso de produtos orgânicos para se protegerem contra pragas etc... ao contrário do grande agronegócio, que é monocultura, prioridade à exportação, uso intensivo de agrotóxicos (o Brasil é o campeão mundial em consumo de pesticidas, em números absolutos e proporcionais), trabalho escravo, destruição do meio ambiente (inclusive a contaminação de lavouras tradicionais por transgênicas, que prejudicam milhões de agricultores que TÊM O DIREITO A PRODUZIR E COMERCIALIZAR produtos não transgênicos) e nenhuma preocupação com saúde humana e mesmo dos animais (vide gripes aviárias, suínas, vaca louca etc etc etc)

    Abrs,

    Rogério Tomaz Jr.

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  2. OPS! Caro Rogério Tomaz Jr.
    Peraí. Se ele quis dizer isto deveria ter dito isto e não ser contraditório. Se voce prestar atenção ao texto que não citei (não iria reproduzir todo o artigo), mas voce citou, não há ali nenhuma defesa de mecanização de pequenas propriedades. Há apenas uma assertiva. Uma constatação - os camponeses não possuem máquinas.
    No trecho onde diz "É óbvio que ninguém propõe, aqui, a destruição das máquinas e a volta à agricultura rudimentar como solução para a fome. Trata-se de fazer exatamente o oposto: colocar a máquina a serviço do ser humano.", Arbex bem podeira ter dito o que voce ligeiramente concluiu. Tipo "colocar a máquina á disposição da agricultura familiar", mas não disse. "A serviço do homem", sejamos francos, não diz coisíssima nenhuma.
    Honestamente leio o que está escrito.

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  3. Bem, caro Rogério, quanto ao MST e a invasão da CUTRALE que o Arbex defendeu, pelo que vimos hoje no noticiário, o interesse não era exatamente "colocar a máquina à serviço do homem", não é mesmo?

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