quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Quem tem medo da privatização do SAERB?

O sistema de abastecimento de água no Acre, assim como em outros estados sempre foi problemático. Desperdício, sucateamento, desvios e inadimplência foram a tônica em sucessivas gestões que jamais conseguiram equacionar devidamente a questão e resolvê-la a partir do Estado. Isto sem contar com as famosas compras, vendas e transporte de insumos que enriqueceram gente muito viva e até gente que já morreu. Hoje em dia tem gente grandinha com a vida feita pelas estrepolias do avô esperto.

Quando em 1997 o sistema da capital foi municipalizado com a criação do SAERB tinha-se a esperança de que, desvinculando-se o abastecimento da capital do resto do estado se poderia dar eficiência ao sistema. Não deu certo. De lá para cá as administrações municipais, sem exceção, enfiaram dinheiro público nos canos do SAERB cuja crônica é o não-pagamento do uso e consumo, seja pelas famílias seja pelas empresas ou mesmo pelos órgãos do estado.

Além disso, em muito pouco tempo o SAERB foi tomado por interesses sindicais e político-eleitorais, às vezes misturados com interesses financeiros inconfessáveis. Influências deste tipo manobraram contra a eficiência. Na soma, uma constatação obvia. Não há saída por dentro do setor público.

O municipio planeja privatizar a gestão do sistema? Faz muito bem. Já vai tarde, se querem saber. A água vai ficar mais cara? Bobagem. A água que chega na torneira só chega porque a prefeitura está cobrindo o déficit com recursos (sempre públicos) de outras fontes que bem poderiam estar sendo gastos em outros benefícios para a comunidade. O máximo que pode acontecer é que quem não paga vai pagar, vereador vai deixar de indicar e pressionar dirigente, empresas privadas que vendem água vão vender menos e o sistema sendo bem gerido pode financiar a própria expansão alcançando mais famílias com água de boa qualidade.

É claro que uma proposta deste tipo encontrará adversários, né? Já pensou aquele pessoal dos carros pipa perdendo clientes? E aqueles vereadores perdendo a bocarra boquinha? E aquela turma do mercado de insumos e equipamentos? Quer apostar como estarão todos eles açulando os funcionários?

Não sei se é politicamente oportuna tendo em vista a sucessão, mas se efetivada, esta seria certamente uma ótima herança deixada pelo bom Angelim.

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