quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Um partido pra chamar de seu, enquanto o Nobel não vem.

Há pelo menos 20 anos, encasquetei que o projeto pessoal (todo ser humano tem um) da ex-Senadora Marina Silva não  é enriquecer (embora à sua volta muitos tenham se dado muito bem), não é ser senadora, nem presidente da república, nem mesmo ser Secretária-Geral da ONU. Na minha opinião seu negócio é com o Nobel da Paz. Mas como chegar lá? Não sei e acho que ela também não sabe. Enquanto não acha o caminho, que tal um partido político pra chamar de seu e para NÃO fazer política partidária? Vejamos o que escreveu hoje o Jornalista Sérgio Vaz, publicado no Blog do Noblat.

Um partido para Marina chamar de seu, por Sérgio Vaz

É o esforço suprapartidário para que a população tenha nojo da política.
Sérgio Vaz

Marina Silva é igual a Gilberto Kassab. Pode, à primeira vista, não parecer: ela tem uma história de vida respeitabilíssima, um passado glorioso. Mas Marina, hoje, é igual a Kassab.
Exatamente como Kassab, Marina vai fazer um novo partido.
O país não precisa de mais um partido político. Quem precisa é Marina. Marina não quer um partido para defender uma plataforma, um ideário – quer um partido para chamar de seu.
Marina se revela uma caudilha. Caudilhinha verde, com passado de glória e cara de pureza angelical cuidadosamente ensaiada, mas caudilha.
Há no Brasil 30 partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral, todos com direito ao fundo partidário (pago com o nosso dinheiro) e horário na TV e no rádio (dito gratuito, mas na verdade pago com o nosso dinheiro).
Há vários partidos que se dizem socialista, comunista, verde, “dos trabalhadores” – as áreas em que Marina transitou ao longo da vida. Mas nenhum deles serve para ela. Quer um só dela. Afinal, ela teve uns 20 milhões de votos nas eleições presidenciais de 2010.
Na época, estava no Partido Verde, após ter abandonado o PT porque o PT não dava a menor pelota para ambiente. Como acha que é muito maior do que o PV, vai criar um novo.
Ainda não se definiu pelo nome. Poderia ser Partido da Marina Silva, PMS – será que já existe uma sigla PMS entre as 30 registradas? –, mas aí talvez fosse dar bandeira demais. Poderia, talvez, ser PN, de Partido Natureza, ou Partido Natureba, ou Partido Natura.
Nome é de somenos importância. Algum ela haverá de achar.
Mas, e assim propriamente quanto às ideias, à posição ideológica, aos princípios, às propostas para o Brasil?
Ah, mas esse negócio de princípio interessa a alguém?, ela poderá perguntar, com aquela carinha estudadamente cândida. Se o Kassab pôde criar do nada um partido que não é de esquerda, nem de centro, nem de direita, e obter a terceira maior bancada da Câmara de Deputados, por que Marina, tão mais pura, história de vida muito mais rica do que aquele sujeito que começou a carreira política na Associação Comercial de São Paulo, não poderia?
Marina tem o mesmo sobrenome do presidente mais popular de todos os tempos e de todas as latitudes e longitudes. O partido dela poderia se chamar PS – Partido dos Silva.
Ao fundar um partido só para chamar de seu, Marina Silva dá uma força imensa ao movimento suprapartidário que visa a tornar a política partidária brasileira cada vez mais pobre – e cada vez mais desprezada pela população.
É de fato um movimento suprapartidário. Os 30 partidos políticos brasileiros formam hoje um Senado e uma Câmara de uma indignidade como nunca se viu nesta República, e provavelmente em nenhuma outra.
As duas casas estão para eleger como presidentes homens cuja biografia está mais para folha corrida policial do que currículo.
Como mostrou pesquisa do Ibope feita para O Estado de S. Paulo, de 1988 para cá caiu de 61% para 44% o número de brasileiros que dizem preferir alguma das tantas siglas partidárias.
Trinta partidos parecem unidos na perseguição de um único ideal: o de disseminar entre os eleitores um profundo nojo pela política.
Não é um belo cenário. Na verdade, é um cenário suicida.

Sérgio Vaz é jornalista

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